segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Até à próxima

Com o final da Volta a Portugal, este blogue chega ao fim. Pode encontrar-nos em Jornal Ciclismo e nas bancas de jornais. na próxima sexta-feira está a venda a edição 28 do nosso Jornal com a análise completa à Volta e muito mais!

domingo, 24 de agosto de 2008

Foto do dia



João Fonseca | http://fotojaf.blogspot.com/

David Blanco vence a Volta a Portugal


O galego David Blanco (Palmeiras Resort-Tavira) é o vencedor da 70ª Volta a Portugal, depois de hoje ter terminado em segundo o decisivo contra-relógio de 31,2 quilómetros entre Penafiel e o alto de Santa Quitéria, Felgueiras. Héctor Guerra (Liberty Seguros) foi o melhor na derradeira etapa, mas não ganhou o tempo suficiente para retirar a camisola amarela a Blanco, acabando a Volta com mais 26 segundos gastos do que o galego. Mercê de um bom registo no contra-relógio, Rubén Plaza (Benfica), subiu ao terceiro lugar na classificação geral, posição igual àquela em que se colocou no "crono".

A subida de 1,5 quilómetros com que encerrava o contra-relógio acabou por ser decisiva, obrigando os corredores a um último dispêndio de energia, necessário para alcançar os seus objectivos. Guerra subiu bastante melhor do que Plaza, o que lhe valeu a vantagem folgada na etapa, obrigando ainda David Blanco a aplicar-se a fundo para não deixar escapar aquela que viria a ser a sua segunda vitória na Volta a Portugal. Quem também fez uma ascensão fabulosa foi Tiago Machado (Madeinox-Boavista). Mantendo-se atrás de Daniel Martin (Garmin-Chipotle) depois de contabilizados os tempos intermédios, o português deu o tudo por tudo na Santa Quitéria, batendo o irlandês por 1m16s, anulando a diferença de 1m06s e, com isso, conquistando a camisola da juventude.

O triunfo de David Blanco é a vitória da frieza e da inteligência tácticas. O corredor que deu ao Tavira a sua primeira vitória na geral da Volta a Portugal apenas precisou de atacar uma vez. Fê-lo com convicção e precisão na subida para a Torre, conquistando aí a vantagem necessária para gerir nos dias que faltavam. Essa foi a etapa decisiva, na qual Américo Silva entregou o "ouro ao bandido". Com Rui Sousa isolado e com uma vantagem de 7 minutos e meio com um terço de subida concluído, o técnico da Liberty Seguros mandou os seus comandados atacar no pelotão, o que destruiu o grupo, mas eliminou parte do avanço de Sousa. Além disso, a ofensiva da Liberty Seguros deu "boleia" a David Blanco, que contra-atacou e se consolidou como grande favorito. Daí para diante bastou aos tavirenses executarem o controlo da corrida, enquanto a Liberty atacava desesperadamente sem conseguir mais do que... desgastar os seus próprios elementos.

O triunfo de David Blanco marca duas estreias. É a primeira vez que um estrangeiro vence duas vezes a Volta a Portugal e é a primeira vez que o Clube de Ciclismo de Tavira, colectividade que há mais tempo rola no pleotão profissional europeu, ganha a corrida maior da velocipedia nacional. Tal como o vencedor de 2007, Xavier Tondo, o herói da Volta'08 conseguiu a camisola amarela final sem ter triunfado em qualquer etapa. Foi a vitória da sábia gestão da corrida, conquistada por um homem formado em gestão... de empresas.

Na hora de balanço, merecem destaque Francisco Pacheco (Barbot-Siper), que ganhou duas etapas, fez segundo noutras quatro e levou para casa a camisola dos Pontos. Rui Sousa andou uma semana de amarelo e conquistou o título de melhor trepador. Tiago Machado (Madeinox-Boavista) lutou até ao fim pelo prémio da Juventude, que conseguiu arrebatar no último dia. A equipa do Benfica também é digna de realce, pois venceu três etapas, naquele que pode considerar-se o seu melhor desempenho colectivo nos dois anos de projecto, iniciado no começo da época passada.

Entre os dez primeiros apenas conseguiram entrar três corredores portugueses, número igual ao de 2007 e que revela a fragilidade dos corredores lusos perante o grande contingente espanhol do pelotão português.

Classificação final
1º David Blanco (Palmeiras Resort-Tavira), 39h49m45s
2º Héctor Guerra (Liberty Seguros), a 26s
3º Rubén Plaza (Benfica), a 3m58s
4º Juan José Cobo (Scott-American Beef), a 4m42s
5º Koldo Gil (Liberty Seguros), a 5m38s
6º Francisco Mancebo (Fercase-Rota dos Móveis), a 6m35s
7º Rui Sousa (Liberty Seguros), a 6m39s
8º Cândido Barbosa (Benfica), a 7m00s
9º Tiago Machado (Madeinox-Boavista), a 7m53s
10º Daniel Martin (Garmin-Chipotle), a 8m03s

José Carlos Gomes
Foto: João Fonseca | http://fotojaf.blogspot.com/

Revista de imprensa

Resumo da imprensa nacional diária sobre a Volta a Portugal após a nona etapa

OJOGO - "Blanco fez-se amarelo". David Blanco e Hector Guerra protagonizaram o mais aguardado duelo da Volta no dia em que Juan Cobo brilhou na Srª da Graça. A primeira análise ao desfecho da prova, assim com as reacções dos favoritos e vencedores compõem as três páginas de cobertura deste periódico. "Sempre ouvi dizer que a Volta era muito difícil", diz o "bisonte", Juan Cobo. Outras reacções: "A união fez a força", justifica Blanco; "Atacamos com todas as forças e não foi possível fazer mais", disse Ruben Plaza; "Foi muito duro. O objectivo é terminar nos dez primeiros", contou Tiago Machado. Uma reportagem no carro de apoio de Orlando Rodrigues e a crónica de Cândido Barbosa - "Subir a Graça ajudando o Ruben" completam a cobertura da Volta.

RECORD - "Coração Blanco". A primeira vitória na Volta do Clube de Ciclismo de Tavira pode chegar por intermédio de David Blanco. O diário desportiva revela que a Palmeiras Resort-Tavira foi duplamente controlada, ao passo que as restantes equipas portuguesa só foram visitadas numa ocasião para a realização de controlos surpresa.

A BOLA - "Blanco, o senhor candidato!". No risco de meta David Blanco foi mais forte que o rival e compatriota numa análise que recupera a ausência de resultados da Liberty Seguros e avança com Ruben Plaza como favorito para a vitória bno contra-relógio. "Valorizar o que aconteceu" é o título da crónica de Jose A.Paz, médico da Fercase-Rota dos Móveis. "Apostava no Blanco" confessa, sem surpresa, Vidal Fitas.

PÚBLICO - "Etapa foi de Cobo, mas é David Blanco que está perto de repetir a vitória na Volta". Mais emoção era impossível diz o Público, que evidencia a confirmação de Rui Sousa como vencedor do prémio da Montanha.

JORNAL DE NOTÍCIAS - "Blanco perto da glória". Com 31.2 quilómetros a separá-lo da consagração, o JN analisa os contra-relógios da época e anteriores resultados dos candidatos, numa leitura, à luz do histórico classificativo, que favorece Hector Guerra.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - "Espero ter a sorte de poder dar a primeira vitória ao Tavira". Após uma semana de amarelo, Rui Sousa deixou a amarela no corpo de David Blanco que, no "crono", diz o DN, usará uma bicicleta de nove mil euros.

CORREIO DA MANHÃ - "Um David Blanco cheio de Graça". A etapa de loucos consagrou David Blanco na liderança. A reportagem do CM decidiu por antecipação o vencedor do concurso comes e bebes - a Quinta da Lixa, num jantar oferecido pela CM Felgueiras. As câmaras PSD estão em maioria na Volta, com nove municípios em 18 concelhos com partidas e chegadas. Fernando Ruas, presidente da CM Viseu, foi convidado por Joaquim Gomes e diz que, agora, se vendem mais bicicletas.

Vencedor: repetente ou estreante?

O vencedor da Volta pode ser repetente ou estreante na glória. Quase certo é que será o sexto triunfo de um espanhol, terceiro consecutivo.

Os portugueses têm 55 vitórias na Volta. As outras nações com triunfos:

Espanha – 1973, 1999, 2004, 2006, 2007, 2008?
Itália – 1996 1998
Belgica - 1967
Inglaterra – 1988
Brasil - 1992
Polónia - 1997
Suíça – 2001
Dinamarca – 2002
Rússia - 2005

Armando Santiago

A etapa de hoje

10ª Etapa: Penafiel – Felgueiras (Santa Quitéria), 31,2 Km (C/R)

Sempre difícil, este ano tem a particularidade de ser disputado no dia seguinte ao da etapa mais dura da Volta, que terminou no Alto da Senhora da Graça.

A grande maioria do percurso é especialmente do agrado dos roladores, mas a chegada essa é muito difícil pois os últimos 1.800 metros são muito empinados e dignos de respeito. Serão muitos os que na parte final irão certamente ver a sua bicicleta a "andar para trás". Mais uma grande jornada e o Monte de Santa Quitéria, especialmente subida acima, vai registar uma enorme presença de público. É a festa do Ciclismo no seu esplendor.

PENAFIEL
É uma estreia na Volta a Portugal

FELGUEIRAS Foi o ano passado local de partida de uma etapa.

Este ano é final de etapa pela segunda vez.

A primeira ocasião que a Volta chegou a Felgueiras aconteceu em 1992 com uma vitória David Bramati (Lampre), para em 2006 novamente um estrangeiro triunfar: Gustavo Cesar Veloso (Kaiku).

Este ano Felgueiras, para além de coroar o vencedor da etapa, vai prestar homenagem àquele que vai ser o novo vencedor da Volta a Portugal.

Felgueiras

1992 Davide Bramati
2006 Gustavo Cesar Veloso

Armando Santiago

Foto do dia



João Fonseca | http://fotojaf.blogspot.com/

sábado, 23 de agosto de 2008

David Blanco passa de favorito a líder

O galego David Blanco (Palmeiras Resort-Tavira) confirmou hoje o favoritismo que lhe era atribuído para a vitória na Volta a Portugal ao assumir o comando da prova, no final da etapa-rainha, que ligou Fafe ao alto do Monte Farinha, junto à ermida da Senhora da Graça. Blanco terminou a tirada na segunda posição, o suficiente para desalojar Rui Sousa do primeiro lugar.

A etapa foi ganha por Juan Jose Cobo (Scott-American Beef), que respondeu a um ataque de Francisco Mancebo (Fercase-Rota dos Móveis) a cerca de 7 quilómetros da chegada, já dentro da subida final. Cobo foi com Mancebo, em menos de um quilómetro já estava adiantado em relação a Mancebo e a cerca de quatro mil metros do fim passava por Gil, seguindo isolado para a meta. O corredor que há cerca de um mês partilhava com Riccò e Piepoli o festival amarelo da Saunier Duval no Tour cumpriu os 146,2 km da etapa em 4h01m31s, à média excelente, dado o percurso, de 38 km/h.

Depois de uma tirada duríssima, qualquer esticão na subida para a Senhora da Graça arriscava-se a ser decisivo. Quem tentou jogar as suas opções foi Daniel Martin (Garmin-Chipotle) que arrancou para tentar deixar Tiago Machado (Madeinox-Boavista) para trás, na luta de ambos pela camisola da Juventude. O jovem português respondeu e deixou o irlandês pregado à estrada. A resposta de Tiago Machado foi aproveitada por Héctor Guerra para tentar deixar David Blanco, mas o galego esteve bem na resposta.

Daí até final, sucederam-se as arrancadas de parada e resposta de Guerra e Blanco, com especial incidência no quilómetro final. Saiu-se melhor o ciclista da equipa algarvia, que ainda conseguiu a segunda posição na etapa, à qual acrescem dois segundos de bonificação.

A etapa, fortemente atacada pela Liberty Seguros, acabou por premiar a frieza da Palmeiras Resort-Tavira. O anterior camisola amarela, Rui Sousa, obrigado a um forte desgaste na fuga do dia, foi atirado para o quarto lugar da geral. David Blanco lidera agora com 54 segundos de vantagem sobre Héctor Guerra. Koldo Gil é o terceiro, a 2m49s do líder. Rubén Plaza (Benfica), a 3m30s, está em condições de ultrapassar Sousa e Gil e de entrar no pódio depois do contra-relógio de amanhã.

A ligação de hoje, que se previa decisiva com as suas cinco contagens de montanha, foi atacada desde cedo pela Liberty Seguros, que colocou Rui Sousa, Koldo Gil e Isidro Nozal na fuga do dia, juntamente com Hugo Vítor (CC LOulé) e Angel Gomez Marchante (Scott-American Beef). A diferença nunca foi grande e com o passar dos quilómetros percebeu-se que os elementos de Américo Silva não estavam bem. Nozal cedo foi "descarregado", enquanto no pelotão todos os corredores da Liberty perdiam o contacto, excepto um desamparado Héctor Guerra. Perante a fragilidade do camisola amarela, Koldo Gil atacou, mas as movimentações na subida final foram-lhe fatais, sendo absorvido sem hipótese sequer de lutar pelo triunfo na tirada.

Após Francisco Pacheco (Barbot-Siper) ter garantido ontem a vitória na classificação por Pontos - desde que termine a prova -, foi hoje a vez de Rui Sousa assegurar o triunfo na Montanha. A classificação da Juventude é que permanece em aberto. Depois da resposta à ofensiva de Martin, Tiago Machado destacou-se e acabou a tirada de hoje no quinto lugar. Só que ganhou apenas 17 segundos ao irlandês, continuando a mais de um minuto de tirar a camisola laranja ao homem da Garmin-Chipotle.

José Carlos Gomes

Duelos guardados para a subida final

Passada a subida que antecede a Senhora da Graça, Koldo Gil segue isolado na frente. A persegui-lo, a cerca de dois minutos, está um grupo de 20 unidades, comandado pela Palmeiras Resort-Tavira. Nesse grupo seguem praticamente todos os homens que eram apontados como favoritos, mas aos quais a serra da Estrela roubou o sonho de amanhã vencerem em Felgueiras.

Como o ataque de Gil foi pujante, os tavirenses terão de desgastar-se bastante na aproximação ao início de subida para o Monte Farinha. É uma situação que ajuda Héctor Guerra, que já tem Rui Sousa perto de si para alguma eventualidade mais premente, embora não seja de esperar que o camisola amarela, depois da fuga, possa ter grandes reservas de energia para o trabalho.

Quem também já não deverá ter muito para dar ao líder são os ciclistas da Palmeiras Resort-Tavira, obrigados a puxar desde o começo da etapa. Pelo que se vê, a subida será um mano-a-mano entre Blanco e Guerra, eventualmente com vantagem para este, uma vez que tem na frente um homem que poderá dar-lhe alguns metros de trabalho na ascensão final, no caso de Guerra conseguir destacar-se.

Por outro lado, veremos como se comportam os outros ciclistas de categoria que estão no primeiro grupo e de que forma as suas movimentações poderão contribuir para o desfecho da corrida.

Gil ao ataque

O trio intermédio, liderado por Hugo Vítor, perde terreno para o pelotão. Pelo contrário, Koldo Gil vai aumentando a vantagem, que se aproxima dos 2 minutos. Sendo Gil pior contra-relogista do que Blanco, a situação não é catastrófica, mas começa, finalmente, a existir perigo para as pretensões da Palmeiras Resort-Tavira.

A subir para Cavernelhe

A subida de segunda categoria para Cavernelhe está a ser dificílima. Na frente de corrida, Koldo Gil, depois de esperar por Rui Sousa em várias ocasiões, lança-se sozinho para a meta de montanha. O camisola amarela passa mal. No pelotão os tavirenses mantêm tudo sob controlo. Estranha-se que ninguém tente ainda mexer a corrida. Há muitos homens que a serra da Estrela deixou muito atrasados e que nada fazem para melhorar a sua posição relativa. O calor e o ritmo forte desta jornada pesam no desgaste e na decisão desses corredores de se manterem quietos.

A 40 km do final

Enquanto Héctor Guerra continua sem colegas de equipa para o defenderem no pelotão, os seus dois companheiros da frente de corrida assumem todas as despesas da fuga. Rui Sousa vai ser o rei da montanha desta Volta, mas o objectivo máximo não está fácil de alcançar. Faltam 40 quilómetros e duas montanhas para o fim da etapa. A diferença dos fugitivos para o pelotão é de cerca de 1m15s.

Complica-se a vida da Liberty Seguros

A estratégia ofensiva da Liberty Seguros está a passar factura aos seus elementos. Na frente de corrida estão Rui Sousa e Koldo Gil, juntamente com Marchante e Hugo Vítor. Nozal, que estivera na dianteira, foi ultrapassado pelo pelotão. Pelotão onde a Liberty Seguros apenas tem Héctor Guerra, depois de Nuno Ribeiro, o último dos resistentes, descolar. Vida difícil para Américo Silva...

Revista de imprensa

Resumo da imprensa nacional diária sobre a Volta a Portugal após a oitava etapa

OJOGO - "Cândido sorriu mais em chegada discutível". A chegada a Fafe foi assinalada pela polémica com a eventual irregularidade do sprint de Cândido Barbosa. O discurso do vencedor e do vencido é apresentando neste diário que surge graficamente renovado. A vitória virtual de Francisco Pacheco na classificação por pontos, as quedas de David Blanco são noticiados. "Ciclismo ajudar a dar pontapé na crise" é o discurso de dentro para fora do clube no dia em que Braga Júnior, presidente do Boavista, visitou a caravana. Na sua coluna, Cândido Barbosa esclarece os contornos do sprint justificando, em título, que Plaza é "Um lançador demasiado perfeito".

JORNAL DE NOTÍCIAS - "Sprint da polémica". A jornada de ataque da Liberty concluiu-se com o sprint da polémica entre Cândido Barbosa e Francisco Pacheco. O discurso directo dos protagonistas é recuperado por este diário que avança, nos "Ecos da Volta" que a Liberty não está interessada na fusão com a LagosBike. "Só houve potocolos de promoção", diz José Antonio Sousa, CEO da seguradora. "Guerra dos segundos na montanha" é o título do segundo texto do JN que perspectiva o duelo nas alturas da etapa-rainha.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - "Senhora da Graça é 'um filme de terror'". O DN recupera o discurso de Manuel Zeferino que antevê o desfecho da Volta e coloca David Blanco como principal favorito, ao passo que Joaquim Gomes Gomes teme que a motivação da camisola amarela de Rui Sousa não seja suficiente, caso sobreviva até ao contra-relógio" [a motivação da amarela] dura dez a quinze minutos", diz Gomes. Na segunda página, o DN avança com identificação de Aranesp e Neorecormon entre os medicamentos apreendidos à LA-MSS - e apresentados à comunicação social - que, segundo aquele diário, apenas poderá ser usados, em casos de atletas de elite, como "doping".

24 HORAS - "Sprint polémico dá triunfo a Cândido". Ombro a ombro o sprint da discórdia é destacado na cobertura do tablóide português.

A BOLA - "Foram muitos os ataques com tiros de pólvora seca". A Bola destaca o espectáculo, a emoção e polémica da chegada - e da etapa - que antecede a Srª da Graça."O colégio de comissários decidiu, está decido..." diz aquele diário. Na sua crónica, Jose A.Paz, médico da Fercase, frisa que, acima de tudo, o "ciclismo é um desporto colectivo". José Santos, técnico da Madeinox-Boavista, contesta alegada aliança entre Lagos Bike e Liberty no dia em que o presidente do Boavista visitou a caravana.

RECORD - "Duas polémicas". Cândido Barbosa vence sprint duvidoso e acusa Liberty de falta de desportivismo é síntese da pimeira página do Record. "Quiseram denegrir a minha imagem", contesta José Azevedo, referindo-se a pessoas externas à equipa.

CORREIO DA MANHÃ - "Uma etapa louca para a amarela". O Correio da Manhã analisa a etapa e coloca no espaço de discurso directo, Álvaro Braga Júnior: "Boavista aposta no ciclismo".

PÚBLICO - "Cândido volta a ganhar em sprint suspeito de ser irregular". O Público avalia a etapa de Fafe e o sprint de toda a polémica. "Notícias sobre o fim do Benfica são especulações", diz Cândido Barbosa.

A guerra de nervos está lançada

Disputada cerca de metade da etapa-rainha desta 70ª Volta a Portugal, constata-se que se está a viver uma corrida de nervos. A Liberty Seguros está a fazer o que lhe competia, depois do erro táctico da subida à Torre, em que foi a própria equipa a "roubar" a Rui Sousa a vitória antecipada nesta corrida. Após esse desempenho autofágico na serra da Estrela, Américo Silva está a fazer o que lhe compete: atacar.

Ontem foi Nuno Ribeiro que assumiu o risco e o esforço de pedalar adiantado contra duas equipas - Palmeiras Resort-Tavira e Benfica - a controlar o pelotão. Hoje saltaram três ciclistas da Liberty para a frente na subida para o Viso. Isidro Nozal é o trabalhador de serviço, Koldo Gil e Rui Sousa são os iscos para os adversários. Na fuga têm a companhia de Gomez Marchante (Scott-American Beef) e de Hugo Vítor (CC Loulé).

No pelotão são os tavirenses que impõem a cadência mais adequada, ou seja, a velocidade que não é capaz de alcançar os escapados, mas que também não lhes dá muita margem. Isto é: enquanto houver uma fuga com a importância dos homens que estão nesta, é provável que a acalmia reine no pelotão. Além disso, os que estão na frente desgastam-se e não tão pouco importante como isso para o Tavira que Sousa e Gil se desgastem.

Esta situação, por enquanto, está a beneficiar quem tem de jogar à defesa: David Blanco. Estranho é que haja tanta gente sem nada a perder neste pelotão sem que se movimente de forma ofensiva.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A etapa de amanhã

9ª Etapa: Fafe – Mondim de Basto (Sr.ª da Graça), 146,2 Km

A pouca quilometragem (muito bem apostado!) da etapa e as muitas montanhas fazem com que esta seja muito justamente considerada a etapa rainha da Volta a Portugal.
Terreno que vai criar enormes dificuldades aos corredores, esta etapa, para aqueles que vão participar pela primeira vez, será de certo um rebuçado muito difícil “chupar”. Duas contagens de segunda e três de primeira categoria, coincidindo a última com a tradicional chegada à Sr.ª da Graça são, como é óbvio, as grandes dificuldades desta etapa. Já vimos excelentes espectáculos serra acima e, este ano, a etapa reúne todos os condimentos para ser um hino ao ciclismo. Se a descer todos os santos ajudam, a subir é preciso ter pernas. E subidas é o que não falta nesta etapa. Um desejo e incentivo aos corredores: Que a Senhora da Graça vos valha...!

ALTO DA SENHORA DA GRAÇA Será a 29ª vez que os corredores sobem ao Alto da Senhora da Graça ou Monte Farinha, em etapas da Volta a Portugal.
Em 1978 João Costa, do Campinense, vencia pela primeira vez aquela que viria a ser uma das montanhas mais difíceis de trepar (piso em empedrado e muito mau estado) para no ano seguinte Marco Chagas, ao serviço do Lousa Trinaranjus, ser o primeiro, triunfo que viria a repetir seis anos mais tarde (1985) ao serviço do Sporting/Raposeira. Também com duas vitórias no Alto da Senhora da Graça estão os corredores Carlos Moreira (86 pelo Sangalhos/Recer e em 88 pelo Boavista/Sarcol), José Luis Aguado Rebollo (Recer/Boavista) em 1998 com repetição em 2001, desta vez ao serviço da Festina. Quintino Rodrigues, do Feirense, vencia em 92 e 93, mas no primeiro triunfo seria desclassificado por ter acusado positivo no controlo antidoping, passando o triunfo para Cássio Freitas, da Recer/Boavista.

Os portugueses já venceram por 14 vezes

Marco Chagas e Carlos Moreira, duas vitórias. Com um triunfo: João Costa, Benjamim Cavalho, Venceslau Fernandes, Manuel Cunha, Manuel Vilar, Jorge Silva, Joaquim Gomes, Quintino Rodrigues, António Correia e João Cabreira.

…Estrangeiros 15!
1989 Santiago Portillo
1992 Cássio Freitas
1994 Felici Puttini
1996 Massimiliano Lelli
1997 Zenon Jaskula
1998 Jose Luis Aguado Rebollo
1999 Michelle Laddomada
2000 Claus Möller
2001 Jose Luis Aguado Rebollo
2002 Joan Horrach
2003 Pedro Arreitunandia
2004 David Arroyo
2005 Adolfo Garcia
2006 João Cabreira
2007 Eladio Jiménez

Em termos de representação de equipas, o Boavista é o clube que mais vezes viu coroados os seus corredores no Alto da Sra. Da Graça:

Boavista - 5 vitórias
1987 Manuel Vilar
1988 Carlos Moreira
1992 Cássio Freitas
1998 Jose Luis Aguado Rebollo
2003 Pedro Arreitunandia

Maia - 3 vitórias
2000 Claus Moller
2002 Joan Horrach
2006 João Cabreira

2 vitorias da actual Liberty Seguros
1999 Michele Laddomada
2004 David Arroyo

Sicasal - 2
1990 Joaquim Gomes
1991 Jorge Silva

No mesmo ano venceram na Sra. da Graça e a Volta
Jorge Silva, Cássio Freitas, Massimiliano Lelli e Zenon Jaskula

Eladio Jiménez é o único que pode bisar!

Se ainda estiver em prova, Eladio Jiménez na chegada ao alto, com triunfo do ano passado pela Karpin Galicia, agora ao serviço da Fercase-Rota dos Móveis, é o único do pelotão que pode repetir o triunfo e igualar Marco Chagas e Carlos Moreira. Um outro vencedor qualquer fará estreia em vitorias neste emblemático monte.

Vencedores em - Mondim (Srª da Graça)
1978 João Costa
1979 Marco Chagas
1981 Benjamim Carvalho
1983 Venceslau Fernandes
1984 Manuel Cunha
1985 Marco Chagas
1986 Carlos Moreira
1987 Manuel Vilar
1988 Carlos Moreira
1989 Santiago Portillo
1990 Joaquim Gomes
1991 Jorge Silva
1992 Cássio Freitas (a)
1993 Quintino Rodrigues
1994 Felici Puttini
1995 António Correia
1996 Massimiliano Lelli
1997 Zenon Jaskula
1998 Jose Luis Aguado Rebollo
1999 Michele Laddomada
2000 Claus Moller
2001 Jose Luis Aguado Rebollo
2002 Joan Horrach
2003 Pedro Arreitunandia
2004 David Arroyo
2005 Adolfo Garcia
2006 João Cabreira
2007 Eladio Jimenez

(a) – O vencedor foi Quintino Rodrigues, mas porque acusou doping o vencedor passou a ser Cássio Freitas

Armando Santiago

Foto do dia



João Fonseca | http://fotojaf.blogspot.com/

Cândido iguala Marco Chagas e Ildefonso Rodrigues

Ao vencer a etapa Barcelos - Fafe, o ciclista do Benfica Cândido Barbosa averbou a sua 22ª vitoria em etapas da Volta a Portugal, igualando o número de triunfos do campeoníssimo Marco Chagas -único corredor que venceu a volta por 4 vezes (82 (FC do Porto), 83 (Mako Jeans), 85 e 86 (Sporting)- e também de Ildefonso Rodrigues (Sporting) que na Volta de 1939 venceu 8 etapas numa prova com 20 dias.

Esta foi a 101ª vitória na carreira de Cândido Barbosa, a quarta em chegadas a Fafe, e o seu segundo triunfo na presente edição.


O “115” benfiquista


Esta vitória em Fafe proporcionou ao Benfica a conquista de 115 triunfos em etapas da Volta a Portugal. A equipa encarnada entrou para a presente edição da Volta a Portugal com 112.

Armando Santiago

Cândido Barbosa ganha com sprint duvidoso

Cândido Barbosa (Benfica) venceu hoje a oitava etapa da Volta a Portugal, batendo, num apertado sprint, Francisco Pacheco (Barbot-Siper), na chegada a Fafe, cumpridos os 169,8 quilómetros, com partida de Barcelos. Depois de ter sido lançado por Rubén Plaza - que ainda conseguiu o terceiro lugar -, o “Foguete” de Rebordosa só teve de atirar-se para o triunfo nos derradeiros metros. Fê-lo de uma forma pouco ortodoxa, mudando ligeiramente a trajectória, mas o júri entendeu não ser o suficiente para configurar sprint irregular.

Esta foi a mais espectacular etapa desta edição da Volta. Houve de tudo, ataques na luta pela camisola da montanha, movimentações de corredores com intuito de trabalhar a luta pela classificação geral e um sprint emotivo, em que não faltaram dúvidas quanto à regularidade da disputa pelo triunfo na etapa. Aliás, o "transponder" ia fazendo justiça pelos seus próprios meios, já que, a despeito de Cãndido ter sido o primeiro a cruzar a meta, o aparelho colocado nas bicicletas deu o triunfo a Pacheco, algo corrigido pelo recurso ao photo-finish.

A camisola amarela continua na posse de Rui Sousa (Liberty Seguros), que mantém 41 segundos de vantagem sobre David Blanco (Palmeiras Resort-Tavira). Quem se aproximou da frente foi Héctor Guerra (Liberty Seguros), que aproveitou o corte de quatro segundos entre os primeiros cinco da etapa e o grupo seguinte para se aproximar mais um pouco de Blanco.

O pelotão hoje não bloqueou a corrida desde o começo, pelo que a velocidade foi menor. Já a facilidade com que se formou o grupo de fugitivos do dia foi bastante maior do que nas jornadas anteriores. A consequência foi a criação de um minipelotão de 23 ciclistas em cabeça de corrida. Estavam representadas quase todas as equipas, pelo que havia diversos e distintos interesses em jogo.

Daquele grande grupo de fugitivos destacaram-se três elementos cujo fito ficou bem claro: lutar pela classificação da montanha. Os homens que se atiraram a essa empretitada foram Sérgio Sousa (Madeinox-Boavista), Hélder Oliveira (Barbot-Siper) e Oleg Chuzhda (Contentpolis-Murcia).

A primeira metade da corrida ficou ainda marcada pela movimentação das peças no xadrez da luta pela vitória na Volta. Foi nessa altura, à passagem do quilómetro 59, que a Liberty Seguros lançou uma ofensiva sem precedentes. Nuno Ribeiro e Vítor Rodrigues saltaram do pelotão, enquanto os colegas Manuel Cardoso e Filipe Cardoso descaíam do maior grupo de fugitivos para esparar pelos dois companheiros. O quarteto rapidamente alançou os 18 escapados que seguiam em posição intermédia, passando a ocupar as posições da frente nesse grupo, em perseguição ao trio que seguia mais adiantado na luta pela montanha.

Enquanto isso, no pelotão eram as eequipas do Palmeiras Resort-Tavira e do Benfica que faziam o trabalho todo, um esforço pelo qual, certamente, acabarão por pagar a factura na duríssima etapa de amanhã. Estes dois colectivos, aliás, ordenaram que Mikel Pradera (Benfica) e Alejandro Marque (Tavira), que estavam fugidos, esperassem pelo pelotão, para aumentartam a mão-de-obra disponível para o labor em prol da perseguição.

Na frente, depois de cruzarem isolados as primeiras três contagens de montanha do dia - aquelas que estavam mais próximas umas das outras -, os três ciclistas que seguiam adiantados foram alcançados pelo grupo comandado pelo quarteto da Libety Seguros, opção correcta do trio, já que assim poupavam energias, conseguindo quem os guiasse à contagem de montanha seguinte, colocada 40 quilómetros adiante.

O pelotão sempre levado pelos benfiquistas e pelos tavirenses ia ganhando terreno, fazendo a diferença para a frente da corrida cair para cerca de um minuto, numa altura em que as forças da Liberty na dianteira começavam a escassear, com Manuel Cardoso e Filipe Cardoso a descolarem. Na perseguição, a Palmeiras Resort-Tavira impunha um ritmo constante, de modo a manter Nuno Ribeiro à distância, mas sem o alcançar. Dessa forma, Ribeiro e Rodrigues continuavam a desgastar-se, o que não sucederia se fossem abosrvidos de imediato. Quando o vencedor da etapa de ontem ficou sozinho depois de Vítor Rodrigues ter ficado para trás, acabou por encontrar apoio nos corredores da Contentpolis-Murcia, o que permitiu aumentar a diferença face ao pelotão para mais de dois minutos.

A persistência de Ribeiro acabou por dificultar a tarefa aos perseguidores. Os tavirenses recuaram durante alguns quilómetros, passando a bola ao Benfica, o que fazia todo o sentido naquela situação de corrida, pois Nuno Ribeiro punha em causa a posição de Rubén Plaza, ao passo que o seu atraso para David Blanco não era de molde a preocupar Vidal Fitas. Além de que Orlando Rodrigues contava com Cândido Barbosa para poder disputar um possível sprint.

À primeira passagem pela meta, José Mendes (Benfica), ciclista minhoto e a correr perto de casa teve a motivação para desferir um ataque, isolando-se dos companheiros de fuga. Foi sol de pouca dura e pouco depois teve a companhia de mais quatro corredores. Um deles pouco tempo viajou em quinteto, escapando em seguida. Era ele Angel Gomez Marchante (Scott-American Beef). A ele juntaram-se ainda Arkaitz Duran (Scott-American Beef) e Adrian Palomares (Contentpolis-Murcia).

Quando Nuno Ribeiro estava para ser alcançado pelo pelotão, o seu colega Isidro Nozal atacou e juntou-se-lhe, prolongando o esforço dos perseguidores. Nesta altura já era a Palmeiras Resort-Tavira que estava de novo na cabeça do pelotão, posição em que alternou de novo com o Benfica, uma vez que a formação encarnada via na etapa de hoje uma excelente oportunidade de lançar Cândido Barbosa para a sua 101ª vitória da carreira e quarta em Fafe.

Junção feita e novo ataque. Desta feita foi Felix Cardenas (Barloworld) a tentar a sua sorte. A locomotiva do Benfica não deu veleidades e Cardenas subiu a bordo do pelotão à entrada do quilómetro final. Aí foi o Benfica que continuou a acelerar, acabando por levar Cândido Barbosa "ao colo" até ao triunfo, apesar de David Bernabéu (barbot-Siper) ainda ter tentado surpreender.

José Carlos Gomes

Revista de imprensa

Resumo da imprensa nacional diária sobre a Volta a Portugal após a sétima etapa

OJOGO - "Nuno Ribeiro atacou decidido para a glória". O vencedor da Volta a Portugal 2003 tinha ordens para atacar na ascensão ao Monte Córdova. Na sua melhor época de sempre, o cunhado de Cândido Barbosa põe a família em segundo plano: "O Cândido é um ciclista como outro qualquer", diz. A alegada fusão Lagos Bike e Liberty tem por base um acordo de cinco anos, a 1.5 milhões de euros por época."Demos o nosso melhor" escreve Cândido Barbosa na sua crónica diária.

JORNAL DE NOTÍCIAS - "Vitória olímpica de Nuno Ribeiro". Doze dias após ter competido em Pequim, o trepador de Sobrado conquistou a segunda chegada em alto da Volta a Portugal. "Êxito pouco festejado", diz o JN ao revelar que Américo Silva não ficou totalmente satisfeito com o desenlace da etapa de ontem.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - "Presidente ganha 7ª etapa da Volta". O DN recupera a reportagem da LUSA destacando em título o cargo de Nuno Ribeiro na presidência da direcção da União Ciclista de Sobrado. Uma empresa de segurança privada é aproveitada pelo diário numa reportagem (?) sobre a sua actuação na Volta.

24 HORAS - "Ribeiro brilha sem defender a amarela". O tablóide destaca a vitória de Nuno Ribeiro e aproveita o trabalho da LUSA sobre as meninas do pódio.

A BOLA - "Monte Córdova consagrou Nuno Ribeiro". O diário desportivo conta com a habitual crónica desportiva, revelando que os "Espanhóis visitaram a Volta", referindo aos dirigentes da Associação Espanhola de Ciclistas Profissionais em visita ao pelotão. Jose A.Paz tece considerações sobre o passaporte biológico e Marcelino Silva Santos (MSS) afirma-se disposto a continuar no ciclismo.

Record - "Olímpico de ouro". Além da crónica habitual, o diário desportivo aproveita o discurso da solidariedade para com os familiares das vítimas do acidente da Spanair.

CORREIO DA MANHÃ - "Assunção salva amarela de Rui". O enviado especial analisa as incidências da etapa, e entrevista em quatro perguntas Artur Lopes, presidente da FPC: "Ciclismo atravessa fase má", reconhece com frontalidade.

PÚBLICO - "Ninguém resistiu a Nuno Ribeiro na subida ao Monte Córdova". O Público evidencia a vitória de Nuno Ribeiro, a que acresce um texto sobre o controlo de acessos à Srª da Graça.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A etapa de amanhã

8ª Etapa: Barcelos – Fafe, 169,8 Km

Esta ligação não será pêra doce. Nesta altura da Volta atrevo mesmo a dizer que será uma etapa dificílima. É que o Minho é sempre uma região muito dura para os heróis da estrada e ainda por cima, porque se trata de uma etapa que antecede a etapa rainha desta Volta, os corredores vão espreitar o Gerês e, apesar de não terem alta montanha o carrossel (entenda-se altos e baixos) desta jornada, vai marcar física e psicologicamente todos os “candidatos”. É que no dia seguinte temos a Senhora da Graça e certamente a decisão da Volta.

BARCELOS É uma terra onde o ciclismo recebe muito carinho por parte da população, com incidência maior nos esclaões de formação no entanto a terra do “galo” é uma estreia na Volta a Portugal.

FAFE Recebe pela 12ª vez um final da prova raínha do calendário português. O sportinguista Filipe Melo fazia entrada triunfal em Fafe em 1938, naquela que foi a primeira vez que os fafenses viram uma chegada da Volta a Portugal, numa tirada que trouxe os ciclistas desde a Invicta cidade do Porto.

Nessa volta de 1938, os “leões” dominavam em quase toda a linha. Ildefonso Rodrigues venceu 8 etapas, o seu colega Filipe Melo 6 e Joaquim Sousa uma. Ou seja, venceram 15 das 20 etapas da Volta, mas, por incrivel que pareça, acabaram os “leões” por deixar fugir a vitória final para José Albuquerque, do Campo de Ourique, que com apenas uma vitória numa etapa (venceu a ligação de Vila Real ao Porto) foi o grande vencedor esta edição da Volta daquele longuinquo ano de 1938.

Com largos anos de interregno, Fafe marca presença anual, desde 2001 no calendário da Volta e como final de etapa.

Unay Yus, Angel Edo, Adolfo Garcia e Ricardo Mestre já foram vencedores nesta terra minhota, mas o Rei continua a ser Cândido Barbosa.

Três vitorias nos últimos cinco anos: 2003, 2005 e 2007. O corredor de Rebordosa venceu sempre em anos ímpares, e se assim se mantiver este ano a vitória vai pertencer a outro corredor.

Fafe
1938 Filipe Melo
1963 Júlio Rodrigues
1964 Agostinho Correia
1966 Manuel Correia
2001 Unai Yus
2002 Angel Edo
2003 Cândido Barbosa
2004 Adolfo Garcia
2005 Cândido Barbosa
2006 Ricardo Mestre
2007 Cândido Barbosa


Armando Santiago

Foto do dia



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Vídeo do dia



Vídeo: PGM

Senhora da Assunção: comparação 2008/2007

Etapa de 2008 / Etapa de 2007

Nuno Ribeiro, Vencedor / a 10s
Héctor Guerra, a 7s / a 1m01s
David Blanco, a 7s / a 3s
Cândido Barbosa, a 7s / Vencedor
Koldo Gil, a 7s / -
Juan José Cobo, a 7s / -
Daniel Martins a 12s / -
David Bernabéu, a 14s / a 10s
Rubén Plaza, a 14s / -
Tiago Machado, a 14s / a 12s
Francisco Mancebo, a 16s / a 32s
Santiago Pérez, a 16s / -
Rui Sousa, a 24s / a 1m01s
José Azevedo, a 2m06s / a 3s
Hugo Sabido, a 3m53s / a 19s
Eladio Jiménez, a 7m43s / a 1s

A comparação entre o tempo perdido em 2007 e o tempo perdido em 2008 na chegada ao alto da Senhora da Assunção mostra que apenas quatro ciclistas estiveram melhor em 2008 do que no ano passado. São eles Nuno Ribeiro, o vencedor da tirada de hoje, Héctor Guerra, segundo classificado, Rui Sousa, o camisola amarela, e Francisco Mancebo, que parece estar num nível aceitável. Quem revela grandes dificuldades é Eladio Jiménez, companheiro de equipa de Mancebo na Fercase-Rota dos Móveis. O trepador de Salamanca perdeu hoje 7m43s para Nuno Ribeiro, cortando a meta na 101ª posição.

José Carlos Gomes

Nuno Ribeiro vence no alto


Nuno Ribeiro (Liberty Seguros) atacou para a vitória no Alto da Senhora da Assunção, local onde estava instalada a meta da sétima etapa da Volta a Portugal. O corredor de Valongo desferiu uma ofensiva no começo da subida e ninguém foi capaz de alcançá-lo, apesar de a subida ter sido feita a elevada velocidade e com muitas movimentações no pelotão.

Os mais trabalhadores foram os homens do Benfica, sempre incoformados no grupo do camisola amarela: José Azevedo, Danail Petrov, José Azevedo e Rubén Plaza passaram pela frente da perseguição a Nuno Ribeiro. Também Tiago Machado (Madeinox-Boavista) tentou endurecer o ritmo, numa fase em que o seu rival na luta pela camisola da Juventude, Daniel Martin (Garmin-Chipotle) aparentava dificuldades. O irlandês acabaria, no entanto, por resistir e por ganhar dois segundos ao português.

Todas estas movimentações foram insuficientes para retirar o triunfo a Nuno Ribeiro, que completou os 177,8 quilómetros da etapa, iniciada na Póvoa de Varzim, em 4h07m31s, à espantosa média de 43,1 km/h. Na segunda posição, a sete segundos de Ribeiro, chegou o seu companheiro de equipa Héctor Guerra, seguido, ainda que com o mesmo tempo, de David Blanco (Palmeiras Resort-Tavira).

Nas contas finais, Héctor Guerra tirou dois segundos à desvantagem que tinha para Blanco, mas este também se aproximou do camisola amarela, Rui Sousa. O líder cedeu nos quilómetros finais e a sua camisola amarela está agora presa por apenas 41 segundos, face a David Blanco. Apesar disso, pode dizer-se que a tirada não correu bem ao galego do Tavira, uma vez que o seu grande rival é Guerra, que lhe ganhou tempo.

O começo desta etapa foi tirado a papel químico daquilo que já víramos nas jornadas anteriores. Muitas tentativas de fuga prontamente anuladas por um pelotão sempre veloz e atento. Na primeira hora correram-se 49,6 quilómetros. Foi preciso esperar pelo quilómetro 73 para que um grupo conseguisse destacar-se.

O ataque de sucesso foi encetado por onze ciclistas: Bruno Castanheira (Benfica), Filipe Cardoso (Liberty Seguros), Alexis Rodriguez (Fercase-Rota dos Móveis), Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Tavira), Jacek Morajko (Madeinox-Boavista), Pedro Soeiro (CC Loulé), Mauro Santanbrogio (Lampre), Arkaitz Duran (Scott-American Beef), Hugo Sabido (Barloworld), Brice Feillu (Agritubel) e Oleg Chuzhda (Contentpolis-Murcia).

Das equipas portuguesas apenas a Barbot-Siper não colocou qualquer elemento na escapada, até porque não precisa destas iniciativas para conquistar protagonismo. Após o grande essforço das etapas passadas para proporcionar chegadas em pelotão a Francisco Pacheco, os pupilos de Carlos Pereira optaram por resguardar-se na tirada de hoje.

A poupança dos corredores da Barbot-Siper deixou as despesas da perseguição unicamente ao cuidado da Liberty Seguros. Talvez por isso a fuga teve mais margem de manobra do que é costume. Ao contrário do que é uso, com o avolumar dos quilómetros percorridos, a diferença ia crescendo. A equipa do líder optou por não forçar o ritmo, dando claramente a entender que optaria por não correr riscos: partindo em vantagem não queria arriscar perder alguma dessa vantagem nas bonificações da meta, pelo que preferia que esses segundos ficassem na posse dos corredores que pedalavam destacados.

Com o pelotão aparentemente desinteressado de alcançar os fugitivos, o entendimento entre os homens da frente mostrava-se bom. No grupo de onze elementos adiantados, saltavam à vista três corredores, clientes habituais das aventuras nesta Volta: Jacek Morajko, Hugo Sabido e Oleg Chuzhda, sem dúvida dos mais combativos desta prova.

Quando tudo corria de feição para os interesses dos onze da dianteira, a Ceramica Flaminia-Bossini Docce, sem motivo aparente, resolveu moldar outra situação de corrida. Tendo assumido a cabeça do pelotão e acelerado bastante a marcha, os companheiros de equipa de Ricardo Martins - que hoje desistiu - começaram a fazer cair bastante a margem dos escapados.

Feito o principal trabalho de perseguição, coube ao Benfica rematar o labor para acabar de vez com a fuga, que se mantinha com cinco dos onze elementos, quando o sopé do Monte Córdoba estava cada vez mais perto. Mal se iniciou a escalada, o pelotão absorveu os aventureiros que restavam, Sabido e Chuzhda.

Com o Benfica a tentar marcar um ritmo constante, mas não demasiado forte, de modo a que Cândido Barbosa mantivesse opções de lutar pelo triunfo na etapa, a Liberty resolveu mexer na corrida, lançando Nuno Ribeiro serra acima. Foi uma iniciativa coroada de êxito, já que o vencedor da Volta a Portugal de 2003 conseguiu ser o mais rápido na etapa, oferecendo o segundo triunfo parcial nesta prova à Liberty Seguros.

José Carlos Gomes
Foto: PAD/JLS

Revista de imprensa

Resumo da imprensa nacional diária sobre a Volta a Portugal após a sexta etapa

OJOGO - "Cândidomania regressou a Gondomar". A primeira de duas páginas sobre a Volta a Portugal é ilustrada pela vitória de Cândido Barbosa em Gondomar, no despertar do fenómeno popular que culminou com a sua centésima vitória da carreira.Manuel Zeferino é a ausência da Volta no dia em que a prova parte da Póvoa de Varzim. "O Póvoa Cycling Clube não acaba, nem vai acabar. Os poveiros gostam de ciclismo", refere Zeferino. A queda de David Blanco é igualmente destacada ao passo que Cândido Barbosa, na sua crónica diária, refere que "Já tinha saudades" de vencer.

A BOLA - "Vitória centenária de Cândido Barbosa". A mais alargada reportagem da Volta, em três páginas, evidencia, a vitória número 100 da Volta a Portugal de Cândido Barbosa, o "Foguete de Rebordosa". Jose A. de Paz, médico da Fercase avalia na sua coluna o perigo da morte súbita, que hoje evoca o falecimento de Bruno Neves. Em noticiário diverso, o jornal afirma a não continuidade do Benfica no pelotão num projecto de dois anos que poderá culminar com a associação à Liberty Seguros. Já a ASC poderá estar de Volta, afiança A BOLA.

RECORD - "Cândido à Benfica chega a centenário". A marca histórica de Cândido Barbosa é evidenciada pelo Record, que apresenta ainda uma reportagem sobre a crise do Boavista com José Santos: "Crise não se reflecte na equipa de ciclismo".

CORREIO DA MANHÃ - "Parabéns a você pela centésima". O Correio da Manhã traça o retrato da etapa numa cobertura completada por notícias curtas e pelas frases dos populares em redor do circo da Volta.

PÚBLICO - "Cândido Barbosa chegou em Gondomar à meta das 100 vitórias em etapas". O "carismático e favoritos dos portugueses" é Cândido Barbosa diz o público que coloca em destaque a invasão turística de Aveiro, local de partida da etapa de ontem.

JORNAL DE NOTÍCIAS - "Cândido centenário". Corredor do Benfica conseguiu em Gondomar a vitória número cem da carreira profissional. "O Benfica merece esta vitória", revelou Cândido.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - "Cândido Barbosa obteve a 100ª vitória da carreira em Gondomar". A cobertura jornalística do DN salienta a centésima vitória de Cândido:"Com paciência consegui esta vitória", disse.

24 HORAS - "Cândido chega às 100 vitórias". A foto de Cândido Barbosa a vencer em Gondomar é igualmente reproduzida por este jornal que igualmente ilustra o engano dos corredores em fuga durante a etapa de ontem.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A etapa de amanhã

7ª Etapa: Póvoa de Varzim – Santo Tirso, 177,8 Km

Etapa com muitas dificuldades na parte final, com chegada ao Monte Córdoba ou (Monte de Nossa Senhora da Assunção). Uma subida de excelente piso mas a exigir muitos dos corredores. Tanto no local de partida, Póvoa de Varzim, como na chegada, Monte Assunção, Cândido Barbosa já venceu.

PÓVOA DE VARZIM Por duas vezes foi final da Volta a Portgal, em 1996, onde Marco Chagas foi consagrado como vencedor, então ao serviço do Sporting, numa volta com 21 etapas. Nesse ano na chegada à Povoa, a vitória pertenceu ao saudoso José Santiago (Torreense-Sicasal Carnes) na ligação que trouxe os corredores desde a Praia da Amorosa.

A segunda vez que foi final da Volta aconteceu em 1997. Nesse ano a vitória final do grande corredor Zenon Jaskula, na altura ao serviço da Mapei. Naquele ano (1997), na derradeira etapa Cândido Barbosa, foi o vencedor, na altura ao serviço da Maia-Cin, na ligação desde Cantanhede. Aliás, em 1997 Cândido venceu duas etapas, ganhou o Premio do Combinado e também o da Juventude.

Como final de etapas da Volta, a cidade poveira já recebeu a prova-rainha por 14 vezes. O prmeiro corredor a triunfar na Povoa de Varzim foi João Francisco em 1931 e o ultimo Jeremy Hunt em 1998.

SANTO TIRSO Vai receber a Volta pela quarta vez. A primeira vez que mereceu uma chegada, aconteceu em 1994, com uma vitória de Pedro Silva, então ao serviço da Sicasal-Acral, actualmente técnico da equipa de Mortágua, as outras duas vitórias pertenceram a Cândido Barbosa (2005 e 2007), sendo esta última com chegada ao Monte da Assunção.

Como não há duas sem três, assim diz o velho ditado, Cândido Barbosa, agora a serviço do Benfica, pode repetir triunfo do ano passado então ao serviço da Liberty Seguros.

Santo Tirso
1994 Pedro Silva
2005 Cândido Barbosa
2007 Cândido Barbosa (Alto Sra. Assunção)

Armando Santiago

Vídeo do dia



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João Fonseca | http://fotojaf.blogspot.com/

Cem vitórias na carreira, 21 na Volta a Portugal

Cândido Barbosa conquistou a sua
21ª vitória em etapas da Volta a Portugal


- A primeira vitória de Cândido Barbosa aconteceu há 11 anos
- Cândido Barbosa igualou feito de João Lourenço (Sporting) nas vitórias em etapas
- Alves Barbosa lidera lista dos vencedores de etapas da Volta, 34, número que será quase impossível de bater, dado os poucos dias de duração da prova na actualidade


A chegada a Gondomar proporcionou ao grande sprinter e valoroso corredor português Cândido Barbosa a sua 21ª vitoria em etapas na Volta a Portugal, 11 anos depois de ter conquistado o seu primeiro triunfo na prova-rainha do ciclismo português, que aconteceu no longínquo ano de 1997, então ao serviço do Maia-Cin, numa volta ganha pelo campeão Zenon Jaskula (Mapei) e na qual o actual corredor do Benfica venceu duas etapas e conquistou as camisolas por Pontos e da Juventude.

A estreia do corredor de Rebordosa na Volta a Portugal, aconteceu em 1996 tendo conquistado a camisola da Juventude ao serviço da W52-Paredes-Fibromade. Neste mesmo ano, Massimiliano Lelli (Saeco/Levira) foi o grande vencedor da Volta.

O ciclista de Rebordosa foi campeão nacional por 3 vezes. Na prova de fundo em 1995 (W52-Paredes Móvel) e em 2007 (Liberty Seguros) e na prova de contra-relógio individual no ano de 2005 (LA-Liberty Seguros).

Sete equipas diferentes

Sete camisolas diferentes nos 21 triunfos de Candido Barbosa nas diversas Voltas a Portugal. O maior numero de etapas foram conseguidas com a camisola do LA-Pecol-Bombarralense, mas outras grandes formações também estiveram presentes nas vitórias do actual corredor encarnado, como foram os casos de Maia-Cin (2); Banesto (3), LA-Pecol (2), LA-Pecol-Bombarralense (5), LA-Liberty Seguros (4), Liberty Seguros (4) e, hoje, ao serviço do Benfica (1).

Os anos de 2003 e 2007 foram muito produtivos para Cândido Barbosa. Venceu em cada um destes anos quatro etapas, sendo de salientar 2007 no qual triunfou em três etapas consecutivas: 3ª, 4ª e 5ª com chegadas a Gouveia, Monte Assunção(Santo Tirso) e Fafe.

Poucos foram os corredores que venceram quatro etapas na mesma Volta. De referir que nas voltas em que o corredor de Rebordosa conquistou 4 etapas tinham apenas 10 e 11 tiradas, nada comparado com os outros vencedores que obtiveram triunfos em provas com a duração de 24, 26 e 29 etapas, ou seja, nas voltas mais longas de sempre.

"Dono" da camisola por Pontos

Em 1996, ano de estreia na Volta, Cândido Barbosa venceu a Camisola da Juventude. Desde o ano seguinte até 2007, Cândido Barbosa venceu quase sempre a camisola por Pontos. Apenas deixou fugir este titulo nos anos de 1998, 2000 e 2002.

Armando Santiago
Foto: PAD/JLS

Na capital da ourivesaria, uma vitória de ouro

Triunfo 114 do Benfica

O grande sprint de hoje proporcionou ao benfiquista Cândido Barbosa uma vitória de Ouro. O corredor venceu a ligação Aveiro-Gondomar e proporcionou ao Benfica o único triunfo em chegadas à capital da ourivesaria e o segundo da presente volta.

Na vitoria de Rubén Plaza no prólogo de Portimão informei que era a 82º triunfo de corredores do Benfica em etapas da Volta a Portugal. Puro engano. As vitórias encarnadas eram efectivamente 113, mais 32 do que as indicadas. Com o meu pedido de desculpas, aqui fica a lista completa dos corredores que venceram etapas com a camisola encarnada:

VENCEDORES
José Maria Nicolau 23 a)
Fernando Mendes 10
Peixoto Alves 9
José Martins 8
Pedro Moreira 8
Guilherme Jacinto 5
Aguiar Cunha 5
Eduardo Lopes 4
João Marcelino 4
César Luis 3

Com 2 vitorias
Santos Duarte, António Maria, Império dos Santos, Manuel Palmeira, Alcino Rodrigues, Augusto Cardoso e Firmino Bernardino

Com 1 triunfo
Eduardo Santos, Miguel Jorge, Aguiar Martins, Manuel S. Gonçalves, João Rebelo, José Firmino, Joaquim Dionísio, José Anastácio, Américo Silva, Dinis Silva, António Martins, Flávio Henriques, Joaquim Leite, Venceslau Fernandes, Manuel Oliveira, José Amaro, Melchor Mauri, Serguiei Smetanine, Jose Antonio Garrido, Rubén Plaza e Cândido Barbosa

- a) - Em duas voltas venceu 20 etapas: em 1931 (8 etapas) e 1932 (12 etapas)

Armando Santiago

E o "Foguete" apitou 100 vezes!


Cândido Barbosa (Benfica), o foguete de Rebordosa, alcançou hoje a centésima vitória da carreira e a primeira de águia ao peito, ao ser o mais rápido na sexta etapa da Volta a Portugal, que ligou Aveiro a Gondomar, numa extensão de 170,6 quilómetros. Num final de etapa muito nervoso e rápido, num percurso sinuoso de rotundas, curvas e contracurvas, Cândido Barbosa sprintou de raiva e atingiu a marca histórica de cem sucessos. O grande dominador das chegadas massivas desta prova, Francisco Pacheco (Barbot-Siper), teve de contentar-se com a segunda posição, ao passo que Martin Garrido (Palmeiras Resort-Tavira), primeiro a arrancar na ponta final, foi o terceiro.

A luta em pelotão foi possível depois de o grande grupo ter anulado a fuga do dia, quando esta estava reduzida a dois elementos, à falta de quatro quilómetros para o final.

A etapa, à semelhança do sucedido nas jornadas anteriores, começou em bom ritmo, o que dificultou a formação de uma fuga consistente. Isso só viria a acontecer quando o pelotão já tinha deixado 47 quilómetros para trás. Nessa altura, saltaram sete ciclistas para o comando da corrida. O grupo que animou a tirada era constituído por Bruno Barbosa (Fercase-Rota dos Móveis), Célio Sousa (Madeinox-Boavista), Alexandre Oliveira (CC Loulé), Vitaly Buts (Lampre), Israel Perez (Extremadura-Ciclismo Solidario), Gonzalo Rabuñal (Karpin Galicia) e Oleg Chuzhda (Contentpolis-Murcia).

Enquanto os fugitivos tentavam aumentar a sua vantagem, no pelotão um dos grandes favorits à vitória na Volta passava por dificuldades. David Blanco (Palmeiras Resort-Tavira) caiu, mas as escoriações não impediram de retomar o seu lugar no grande grupo. O azar do galego não se ficou por aqui, dado que ainda foi vítima de uma avaria.

O grupo de escapados também não teve uma jornada isenta de contratempos, dado que um engano no percurso atrasou a sua marcha e quebrou-lhe o ritmo. Apesar disso, a diferença chegou aos 5m35s, quando estavam percorridos 70 quilómetros. No pelotão, as operações foram sendo comandadas pelas equipas que, nos últimos dias vêm dando a cara ao vento: Liberty Seguros, Barbot-Siper e Benfica.

Os quilómetros finais foram uma autêntica prova de eliminação, dado que os corredores que integravam a fuga foram perdendo o contacto com a frente de corrida. Os mais resistentes acabaram por ser Célio Sousa e Oleg Chuzhda, apenas alcançados a quatro quilómetros do fim, numa altura em que as forças da Barloworld se juntaram aos esforços das restantes equipas que encabeçaram a perseguição, dando o golpe de misericórdia nas pretensões dos homens mais combativos do dia.

A alta velocidade a que se disputaram os quilómetros finais provocou um endurecimento da corrida, que permitiu a Cândido Barbosa bater os sprinters mais puros. Rui Sousa (Liberty Seguros) teve mais uma etapa sossegada, conseguindo o seu primeiro objectivo: passar, amanhã, nas imediações da sua terra - Barroselas - vestido de amarelo.

Em declarações no final da etapa, Cândido Barbosa referiu que a sua vitória no Campeonato da Europa de Sub-23 (1996) é provavelmente o triunfo mais saboroso da sua carreira.

José Carlos Gomes
Foto: PAD/JLS

terça-feira, 19 de agosto de 2008

A etapa de amanhã

6ª Etapa: Aveiro - Gondomar, 170,6

AVEIRO Foi inicio da Volta a Portugal em 1992. Um prólogo CR por equipas que teve em Pedro Silva, na altura a defender as cores da Sicasal-Acral, agora técnico dos sub-23 do Mortágua, o primeiro camisola amarela, numa Volta que viria a ser conquistada por Cássio Freitas (Recer/Boavista).

Aveiro já foi final de etapa por 10 vezes, a primeira em 1932 com vitória de João Sousa (Sporting), mas César Luís, José Martins, Mário Fazzio, Manolo Rodrigues, Américo Raposo, Delépine, Alfredo Gouveia e o nosso querido Onofre Tavares, também já venceram na Veneza portuguesa. No ano passado, Aveiro viu os corredores partirem em direcção a S. João da Madeira. Este ano a Veneza Portuguesa vai dar início a uma etapa que levará os corredores até Gondomar. De referir que Aveiro não recebe uma chegada da Volta desde 1992.

GONDOMAR Fez estreia na Volta a Portugal, como local de partida de uma etapa da Volta a Portugal, em 2006. Na altura, os corredores partiram dali para Felgueiras.

Paride Grillo, o italiano da Panaria que venceu a etapa que ligou Lixa a Gondomar, no ano passado, inscreveu a letras douradas uma página na Historia da Volta a Portugal. Foi a primeira vez que Gondomar recebeu um final da etapa. Foi uma das chegadas que registou maior enchente de público. Foi impressionante os milhares de estusiastas ali presentes.

Este ano temos a certeza que vai ser igual ou ainda melhor. Terra de grandes senhores do ciclismo português, Gondomar mantém uma prova anual denominada Grande Prémio Gondomar Coração de Ouro, organizada pelo professor José Santos (Técnico do Boavista), o grande responsavel pelo desporto gondomarense, e também pelo Major Valentim Loureiro, um grande admirador do ciclismo e grande responsável pela criação do ciclismo no Boavista. Para além disso, Gondomar tem ainda duas referências a residir no concelho: Paulo Ferreira e Cosme de Oliveira.

Gondomar

2007 Paride Grillo

Armando Santiago

Um dia com Joaquim Gomes

António José Rodrigues (OJOGO) acompanhou a quinta etapa da Volta no carro do director

O telemóvel é um amigo inseparável. Joaquim Gomes é o homem forte da Volta a Portugal desde que abandonou a carreira, em 2002, e está, agora, a cumprir o desígnio para o qual se sente mais talhado: “sempre gostei de gerir projectos”, pondo em prática toda a experiência adquirida ao longo de 17 anos de carreira e 18 Voltas disputadas. “A primeira ainda foi como amador mas correu tão bem que me abriu boas perspectivas de profissionalização”, recorda.

Agora levanta-se mais cedo do que quando corria. “O dia começa às 6h30 da manhã, com uma corridinha de meia hora. Depois do duche agarro-me ao computador, porque estamos a preparar uma prova em Setembro (GP Crédito Agrícola, na Costa Azul). Mas o meu telemóvel entra em acção logo a partir das 7h00, porque muitas vezes há situações que é preciso resolver com a equipa que monta as partidas”, explicou. A partir daí, “o baile está armado”, brinca. Agora é assim. Mas podia ser diferente. “Estar à frente de uma equipa? Não. Já me bastaram os anos em que andei lá dentro [do pelotão]. Costumo dizer que desde 2002 que estou de férias”, ri-se.

Enquanto se desdobra a atender telefonemas atrás de telefonemas, tem de se preocupar em estar nas partidas logo a partir da hora da concentração. “Há autarcas para acompanhar, que investem bastante na Volta.” Depois é que começa o verdadeiro trabalho. Enquanto segue na frente do pelotão, é preciso controlar o esquema de segurança, para que nada falhe. “Nesta altura preocupamo-nos com tudo menos com as equipas e com os ciclistas, precisamente para que nada lhes falte”, atira. Enquanto vai passando umas sandes a Ricardo Felgueiras, antigo companheiro de equipa, que guia o carro da direcção de prova, onde segue também Luís Carimbo, responsável pela actualização constante do site da PAD, recorda um incidente da terceira etapa. “O carro de um dos comissários furou. Quando foi buscar o pneu suplente, encontrou apenas um kit de reparação. Como o pneu tinha um lanho, foi preciso ligar à seguradora. Expliquei-lhes que da mesma forma que um jogo de futebol não pode decorrer sem um fiscal de linha, uma prova de ciclismo não pode ficar sem comissários. Um quarto de hora mais tarde já estava lá um reboque e… um táxi. O comissário teve de perseguir o pelotão no táxi, até apanhar os ciclistas e ter boleia de outro carro da organização”, conta, bem humorado.

Até ao final da tirada é preciso ainda arranjar boleia para alguns convidados em S. João da Madeira e zelar pela segurança dos ciclistas na última meta volante, instalada 50 metros antes de uma curva perigosa. “Quando fizemos o reconhecimento, estava tudo bem. Entretanto puseram lá uma rotunda e a meta teve de avançar uns metros…”
Os quilómetros finais são os mais tensos, até pela grande quantidade de gente a ver a prova. “As equipas estrangeiras ficam doidas. A própria Volta a Espanha tem menos gente que nós”, comenta.

Após marcar presença na cerimónia do pódio, termina o dia com uma reunião com os responsáveis das várias áreas. Ou melhor, espera que o dia termine, porque pode sempre haver um telefonema durante a madrugada.

António José Rodrigues (OJOGO)

Foto do dia



João Fonseca | http://fotojaf.blogspot.com/

As vitórias dos directores-desportivos nacionais


A segunda vitória de Francisco Pacheco (Barbot-Siper) nesta edição da Volta enche o seu director-desportivo, Carlos Pereira, de razões para sorrir. Feitas as contas às participações de Pereira na Volta a Portugal como director-desportivo, o sucesso hoje alcançado por Pacheco significa a quarta vitória de Carlos Pereira em etapas. Ou seja, só na edição 70 da corrida, o técnico conseguiu tantos triunfos tantos aqueles que obtivera em toda a restante carreira. É obra!

Olhando para os directores-desportivos portugueses presentes na Volta deste ano, aquele que mais vitórias de etapa colecciona é Américo Silva (Liberty Seguros). É certo que ter comandado Cândido Barbosa durante largos anos ajudou muito ao pecúlio, mas não explica todas as 26 vitórias arrebatadas.

Percorrendo o currículo dos outros directores-desportivos, concluímos que o segundo vitorioso é aquele que mais anos leva de pelotão, José Santos (Madeinox-Boavista). O professor do Bessa já viu ciclistas seus erguerem os braços em 17 etapas da Volta a Portugal, num percurso vitorioso iniciado em 1986, mas que está interrompido desde a segunda etapa da Volta de 2006. Nesse dia, em Lisboa, Manuel Cardoso (Carvalhelhos-Boavista) foi declarado vencedor, após desclassificação de Cândido Barbosa por sprint irregular.

Américo Silva e José Santos estão claramente destacados no ranking dos triunfadores. Seguem-se Carlos Pereira e Vidal Fitas (Palmeiras Resort-Tavira), ambos com quatro sucessos. Orlando Rodrigues (Benfica) estreou o palmarés no prólogo deste ano, ao passo que Mário Rocha (Fercase-Rota dos Móveis) apenas uma vez ganhou. Foi em 2003, por intermédio do finalizador Alberto Benito. Dos técnicos que já conhecem o sabor da glória, o nortenho é aquele que não vence na Volta há mais tempo.

O pelotão completa-se com Jorge Piedade (CC Loulé) que ainda aguarda a hora de desvirginar o seu palmarés no que a triunfos na Volta a Portugal diz respeito.

Em termos de vitórias absolutas na Volta, apenas dois técnicos já experimentaram a sensação de tal feito. José Santos em duas ocasiões - Cássio Freitas (1992) e Joaquim Gomes (1993) - e Américo Silva em 2003, por intermédio de Nuno Ribeiro.

José Carlos Gomes

De Pacheco para Bruno Neves


Francisco Pacheco (Barbot-Siper) venceu hoje a quinta etapa da Volta a Portugal, reforçando a sua vantagem na classificação por pontos. Pacheco foi o mais rápido num muito disputado sprint, em São João da Madeira, local que voltou a brindar a caravana velocipédica com um entusiástico banho de multidão. Numa etapa sem movimentações dos homens mais bem classificados na geral individual, Rui Sousa (Liberty Seguros) não teve dificuldades para manter a camisola amarela.

O dia de descanso não alterou a toada no pelotão. Após uma rapidíssima etapa no domingo, foi com a mesma disposição que os corredores regressaram hoje à competição, acabando por cumprir os 186 quilómetros que uniram Gouveia à capital da chapelaria em 4h30m16s, à méida de 41,3 km/h.

Tal como na anterior tirada, todas as primeiras tentativas de fuga foram condenadas ao fracasso pela elevadíssima velocidade do pelotão. Só ao quilómetro 69 é que um trio conseguiu distanciar-se do pelotão. Os ciclistas que lograram escapar-se foram Jacek Morajko (Madeinox-Boavista), Hugo Sabido (Barloworld) e Javier Extxarri (Contentpolis-Murcia). Numa sempre incómoda posição intermédia colocou-se Sergio Herrero (Extremadura-Ciclismo Solidario), que nunca chegou aos da frente e que, ao fim de algumas dezenas de quilómetros, foi recolhido pelo grande grupo.

A perseguição fez-se mercê da aliança de interesses entre a Liberty Seguros e a Barbot-Siper. A equipa de Américo Silva tinha a obrigação de defender a liderança de Rui Sousa e, uma chegada ao sprint, poderia ser uma oportunidade para uma vitória parcial de Manuel Cardoso. O colectivo de Carlos Pereira, por sua vez, tinha em mente proporcionar a Francisco Pacheco mais uma oportunidade para erguer os braços.

Com esta configuração da corrida, a vantagem dos três escapados aproximou-se dos 7 minutos, quando o final da jornada estava a cerca de 80 quilómetros. No entanto, com o passar dos quilómetros, o pelotão aumentou a velocidade e a diferença foi caindo. O acordo foi, todavia, mais ao jeito da Liberty Seguros, dado que a maior dose de trabalho foi executado pelos corredores da Barbot-Siper, pertante uma clara gestão de esforço dos companheiros de equipa de Rui Sousa.

Já dentro dos últimos 20 quilómetros foi a vez de o Benfica assomar ao comando da coluna, numa tentativa de levar Cândido Barbosa à sua centésima vitória na carreira e primeira em 2008. Os benfiquistas queriam eliminar os sprinters que sobem pior para facilitar a vida a Barbosa. Danilo Napolitano foi o único a ceder, numa subida em que houve algumas escaramuças, entre as quais da de Juan José Cobo (Scott-American Beef).

A descida para a meta foi percorrida a uma velocidade supersónica e com muita tensão à mistura. As duas rotundas colocadas dentro do quilómetro final e os respectivos estreitamentos de estrada foram fatais para as pretensões de Cândido Barbosa, que, por duas vezes, acabou por ver a sua trajetória fechada. Melhor esteve Francisco Pacheco. Em mais uma arrancada imbatível, o espanhol da Barbot-Siper sprintou para a glória. Na segunda posição colocou-se Tyler Farrar (Garmin-Chipotle), com Enrico Gasparotto a ser o terceiro.

Ao cortar o risco, Francisco Pacheco apontou para o céu, dedicando este sucesso ao malogrado Bruno Neves, natural de Nogueira do Cravo, localidade das imediações de São João da Madeira.

Ao alcançar a sua terceira vitória em etapas da Volta a Portugal - contando com a conseguida na edição de 2007, em Castelo Branco - Francisco Pacheco afirmou-se como o quarto ciclista a triunfar no mais pequeno (em área) concelho de Portugal, um município que conta apenas com uma freguesia. Os anteriores vencedores em São João da Madeira foram Cândido Barbosa (2003 e 2007), Bruno Neves (2005) e Carlos Nozal (2006).

José Carlos Gomes com Armando Santiago
Foto: PAD/JLS

Revista de imprensa

Resumo da imprensa nacional diária sobre a Volta a Portugal após o dia de descanso

OJOGO - "Vou lutar com todas as minhas forças".Rui Sousa concedeu diversas entrevistas no dia descanso, rotina à qual se impõe a sua condição de líder. O camisola amarela assinala David Blanco como principal adversário, ao mesmo tempo que reconhece a corrida "complicada" que tem pela frente. Aos 32 anos, o ciclista de Viana do Castelo afiança a vontade de competir mais duas ou três épocas mas, para já, quer "simplesmente usufruir deste sonho". A apresentação do livro do 'ciclista do povo" colheu destaque no diário desportivo nortenho. "À Volta de Cândido Barbosa" é mais do que uma biografia, um livro que conta as histórias fiéis de Cândido Barbosa", segundo ressalva o autor, Carlos Flórido, jornalista de O OJOGO e "colunista" do Jornal Ciclismo.

JORNAL DE NOTÍCIAS - "Pelotão leva Volta em 2009". O futuro do pelotão e das suas equipas são o tema central da página da Volta a Portugal no Jornal de Notícias. Conhecido o projecto de José Azevedo e Orlando Rodrigues, surge ainda a possibilidade da LA Sistemas - SSS - Trevomar trilhar o rumo do profissionalismo, com o apoio de Luís Almeida (L.A.), anteriormente ligado à LA-MSS, na Póvoa de Varzim.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - "João Lagos decide futuro do Benfica". Justino Curto afiança que o projecto a cinco anos da Lagosbike e da sua associação ao Benfica é viável, mas ressalva que a continuidade da equipa dependerá de uma reunião com João Lagos, finda a Volta a Portugal. A apresentação do livro de Cândido Barbosa compõe o espaço daquele diário dedicado à Volta a Portugal.

24 horas - "Benfica larga pedais". O final do Benfica é noticiado como dado adquirido pelo diário popular que baseia a sua peça jornalística na Agência Lusa. A edição do livro de Cândido Barbosa foi alvo de menção.

RECORD - "Equipa tem ganho desde o início do ano". O líder da Volta a Portugal coloca a pressão sobre os adversários, recordando as 25 vitórias conquistadas em 2008, em resposta às afirmações de Cândido Barbosa. "Algumas pessoas tem memória curta", ressalva, preferindo não entrar em polémicas. O futuro do ciclismo encarnado e abordado pelo desportivo, tal como a apresentação da mais recente publicação de ciclismo.

A BOLA - "Atiradores seguros e o alvo". A mais extensa cobertura jornalística da Volta a Portugal no dia de descanso surge neste periódico que tece a análise da prova e o balanço das equipas na primeira metade da competição. "Manual do foguete" é o título da peça referente ao livro de Cândido Barbosa ao passo que as "Alergias dos corredores" são explicadas pelo médico Jose A.Paz, da Fercase-Rota dos Móveis, na sua coluna diária. "Subida à Torre marcou primeira parte da Volta", tece o comentário desportivo especializado sobre os primeiros grandes momentos da corrida. Nesta edição, António Amorim (Barbot-Siper) e José Mendes (Benfica) revelam alguns dos seus planos de futuro naquela que é Volta de estreia.

CORREIO DA MANHÃ - "Três candidatos ao primeiro lugar". O enviado do diário lisboeta afiança que a etapa da Torre serviu para separar águas, apontando em três potenciais vencedores: Rui Sousa, David Blanco e Hector Guerra. Marçal Grilo, administrador da Gulbenkian e antigo ministro da educação, tece a sua análise de como o doping deve ser combatido: a criminalização.

PÚBLICO - "Temos apenas um ciclista que não pode falhar enquanto eles têm quatro". A sentença é de Vidal Fitas, director-desportivo do Palmeiras Resort-Tavira, referindo-se ao seu comandado, David Blanco, segundo classificado. A análise da corrida é avançada pelo diário de referência que escuta a opinião de vários directores. "A Volta da GNR começa muito antes da dos ciclistas" apoia na página o texto principal.

"À Volta de Cândido Barbosa"

Vida e obra do ciclista Cândido Barbosa num livro que cobre diversos aspectos da modalidade

São treze capítulos, 123 páginas que resumem o percurso velocipédico de Cândido Barbosa numa publicação apresentada ontem em Gouveia. Da autoria de Carlos Flórido, jornalista de OJOGO e habitual colaborador do Jornal Ciclismo e de António Ferreira, jornalista, o livro biográfico do popular ciclista apresenta-se, assim o prefacia Marçal Grilo, como uma publicação "com um carácter intimista em que o autor nos mostra a face humana dos ciclistas, ontem, para além de todos os aspectos técnicos e tácticos de uma corrida, se fazem sentir outros factores igualmente importantes como solidariedade, a amizade e os laços que resultam das ligações familiares".
No prelo desde há dois anos, a actual edição da Guerra & Paz surge actualizada com a descrição em primeira pessoa de Cândido Barbosa- o registo que acompanha todo o livro - das Voltas a Portugal 2005, 2006 e 2007. No índice surgem capítulos como "Bandeiras e emoções", "Pedalar por gosto", "Ser sprinter", "As fugas", "As organizações", "O doping" e "No Benfica", entre outros, que de forma despretensiosa abrem a vida desportiva de Cândido Barbosa ao escrutínio público.
"À Volta de Cândido Barbosa", com custo de 12.20 € encontra-se já nas livrarias e vem enriquecer o escasso opúsculo de literatura especializada sobre o ciclismo no qual se destacam, recentemente, a edição de a “História da Volta", a cargo do jornalista Guita Júnior, “Sempre o último, sempre o primeiro”, a biografia desportiva da carreira de Joaquim Gomes por Carlos Raleiras, “As Voltas de uma Carreira”, retrato biográfico de Vítor Gamito, da autoria dos jornalistas Magda Ribeiro e Fernando Lebre e a biografia de Alves Barbosa - “700 000 Quilómetros a Pedalar” - sob a pena de José Magalhães Castela.

Revista de imprensa

Resumo da imprensa nacional diária sobre a Volta a Portugal após a quarta etapa

OJOGO - "À terceira foi de vez para Francisco Pacheco". A conquista da vitória de etapa de Francisco Pacheco em Viseu, na véspera do dia de descanso, abriu a produção jornalística de quase três páginas dos enviados de O JOGO. A revelação de José Azevedo - "Quero criar uma equipa em 2009" - animou os ânimos no pelotão num projecto que se deseja retratar a filosofia do vila-condense no que a ciclismo diz respeito. A intenção é partilhada com Orlando Rodrigues, actual director-desportivo da formação encarnada e igualmente responsável pelo projecto.

CORREIO DA MANHÃ - "Liberty e Benfica em guerra aberta".O diário popular aborda directamente as suspeitas de dopagem "lançadas pelos encarnados", dando a preferência a uma temática iniciada na etapa da Torre. A fotografia de Francisco Pacheco em Viseu ocupa a quase total largura de página. As "pedaladas livres" são curtas notícias ou citações que tem reunido, de forma quotidiana, diversas curiosidades sobre a volta.

RECORD - "Pacheco à terceira". A anteceder o dia de descanso, o texto do Record é preenchido pelas incidências da etapa na qual Pacheco foi o mais forte. A análise de Orlando Rodrigues sobre Vítor Rodrigues caíu mal no seio da Liberty Seguros. Joaquim Andrade revela de forma desconcertante que prefere que o seu filho de oito anos...não seja ciclista.

A BOLA - "Pacheco deu mais cor a Viseu" - Enquanto o "pelotão parece anestesiado pelo domínio da Liberty Seguros", Francisco Pacheco venceu o sprint de Viseu. A reportagem da terceira página é dedicada à Feira de São Mateus.

JORNAL DE NOTÍCIAS - "A vez de Pacheco". A etapa mais rápida da Volta foi protagonizada por Francisco Pacheco que colhe natural evidência no JN. O discurso directo de Rui Sousa - "Pensei que a etapa ia ser tranquila mas os sucessivos ataques não nos deram descanso" - revela, muito provavelmente, o quotidiano dos próximos dias de competição.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - "Benfica em depressão no pelotão depois do falhanço na serra". Numa das raras ocasiões na qual Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica e responsável das modalidades ditas de "amadoras" se pronunciou sobre o projecto da Lagos Bike revelou que...esperava que o Benfica tivesse noutra posição. Os veteranos da Volta - Carlos Pinho, Joaquim Andrade e Joaquim Sampaio - são referenciados num pequeno texto à parte.

24 HORAS - "Pacheco deixa a namorada louca" - O sprinter espanhol da Barbot-Siper festeja no pódio com o champagne da vitória numa imagem colhida em Viseu. Os "veteranos da Volta" são alvo de interesse particular por este jornal que, sem jornalistas no terreno, resume um trabalho da agência LUSA.

PÚBLICO - "Francisco Pacheco arriscou cedo e venceu etapa mais rápida da Volta". O Público tece o comentário desportivo da etapa, numa edição valorizada por uma pequena peça lateral na qual surge patente a crítica aberta de José Santos, director-desportivo da Madeinox-Boavista sobre a imprensa: "A modalidade continua a ser ostracizada pela imprensa", refere o técnico, com pertinência. "É preciso que o jornalismo se liberte de uma orientação que o vira só para o futebol e faz com que despreze todas as outras modalidades".

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A etapa de amanhã

5ª Etapa: Gouveia – São João da Madeira, 186 km


GOUVEIA é uma cidade serrana com grandes tradições no ciclismo. O ano passado foi final de etapa da Volta a Portugal, o que aconteceu pela pela 15ª vez.

Um trio de estrangeiros já venceu am Gouveia: Luis Espinosa (1993), Pedro Horrilho (2000) e Jorge Ferrio (2005).

Fernando Moreira, em 1947, foi o primeiro corredor português a ganhar naquela localidade, mas o recorde de vitorias continua na posse de Marco Chagas, com dois triunfos, em 1984 e 1988. Mas nomes como Sérgio Paulinho, Marino Fonseca, Flávio Henriques, Joaquim Andrade (filho, festejou 39 anos recentemente e é o veterano do pelotão), Vítor Gamito, Manuel Cunha, Belmiro Silva e Cândido Barbosa também lá enriqueceram o seu palmarés.

Gouveia foi palco de um final da Volta a Portugal de 1981. Foi nesta cidade serrana que Manuel Zeferino foi coroado como vencedor da Volta, mas outro Dragão subia ao palco de Gouveia para receber o trofeu de vencedor da última etapa, um contra-relogio individual, que ligou Seia a Gouveia e que foi conquistado por Belmiro Silva, na altura ao serviço do FC do Porto/União de Bancos.

S. JOÃO DA MADEIRA Após o dia de descanso, o pelotão vai, mesmo assim, querer poupar mais algumas energias. Uma etapa que certamnente vai ter uma chegada em pelotão, onde os credenciados sprinters vão medir forças, para chamar a si a vitória em S. João da Madeira.

Mesmo sem querer é obrigatorio falar no malogrado Bruno Neves. Era uma etapa em que dava tudo por tudo para vencer. Era afinal de contas a sua terra. Mas mesmo sem estar no pelotão, tenho a certeza que vai ser recordado.

É sempre uma chegada de se tirar o chapeu. Cândido Barbosa, duas vezes, e o saudoso Bruno Neves, venceram três das quatro chegadas à capital da chapelaria. A outra vitória pertenceu a um estrangeiro igualmente de grande categoria: Carlos Nozal (em 2006 ao serviço da portuguesa Liberty Seguros).

Chegadas sempre com banhos de multidão, ou esta não fosse uma zona das mais aficionadas pela modalidade.

S. João da Madeira


2003 Cândido Barbosa
2005 Bruno Neves
2006 Carlos Nozal
2007 Cândido Barbosa

Armando Santiago

Balanço equipa a equipa

Liberty Seguros
O festival da etapa da Torre marcou esta edição da Volta a Portugal. Num golpe táctico arrojado, Américo Silva arrumou com quase toda a concorrência. Falta saber se fez bem. Quando os homens da Liberty Seguros resolveram desfazer o pelotão tinham a Volta praticamente ganha, por intermédio de Rui Sousa, que seguia na frente com uma vantagem de 7m30s. A iniciativa dos corredores da Liberty desfez as esperanças de praticamente todo o pelotão, mas foi o mote para a arrancada de David Blanco que soube posicionar-se como o principal candidato ao triunfo final. A favor do bloco de Américo Silva pesa o facto de dispor de três corredores com capaciade de lutarem pela vitória - Rui Sousa, Héctor Guerra e Koldo Gil -, o que lhe dá armas tácticas para derrotar Blanco.

Palmeiras Resort-Tavira
Dispõe do mais sério favorito neste momento. Mas só mesmo Blanco pode dar uma alegria à equipa mais antiga do pelotão europeu. Ricardo Mestre e Nelson Vitorino não estiveram bem na serra da Estrela e agora não são peças que possam combater investidas dos homens da Liberty, numa luta taco a taco. Resta aos algarvios controlarema partir do pelotão as previsíveis ofensivas dos ciclistas às ordens de Américo Silva. Se conseguirem deixar a classificação mais ou menos como está agora até ao contra-relógio, podem conquistar o mais saboroso sucesso da história do clube. Martin Garrido ainda pode dar uma alegria intermédia num sprint, já que, pelo escalonamento feito por Vidal Fitas sem ter o factor vento em devida conta, o argentino não pôde repetir a vitória no prólogo.

Benfica
Conseguiu aquilo de que poucas equipas portguesas podem orgulhar-se numa Volta a Portugal - sobretudo nos anos mais recentes - um triunfo de etapa e alguns dias com a camisola amarela. Acontece que o emblema que transportam no peito obriga os ciclistas encarnados a quererem mais. Só a vitória na Volta a Portugal pode dar alguma cor a um vermelho que tem estado desbotado desde do começo do projecto. E essa vitória parece cada vez mais uma miragem. A serra da Estrela derreteu José Azevedo e Cândido Barbosa, deixando Rubén Plaza em muito má posição. Não parece possível que os benfiquistas, por intermédio de Plaza, possam almejar mais do que o pódio. Cândido Barbosa no sprint e José Azevedo numa iniciativa briosa são opções a ter em conta para vittórias em etapas.

Scott-American Beef
Após o escândalo no Tour e o "desconvite" para a Vuelta, esperava-se que os espanhóis abordassem a Volta a Portugal com intenções de brilhar. Assim tem acontecido. Mas das intenções à sua concretização vai uma distância bem grande que ainda não foi cumprida. Gomez Marchante e Juan José Cobo bem se têm esforçado. Até ver, sem sucesso.

Fercase-Rota dos Móveis
A equipa nortenha é uma das grandes desilusões da primeira metade da edição 70 da Volta a Portugal. Colectivo talhado para a montanha, esperava-se um festival dos homens de Mário Rocha na etapa da Torre. No entanto, os trunfos dos paredenses não corresponderam às expectativas. Tido como melhor trepador do pelotão nacional, Eladio Jiménez esteve completamente apagado. Já Francisco Mancebo limitou-se a lutar para seguir na roda do grupo do camisola amarela, que não estava propriamente perto dos lugares cimeiros na escalada. A luta pelas etapas duras que aí vêm é a bóía de salvação para uma participação aquém do desejável.

Garmin-Chipotle
Os estadunidenses têm mostrado qualidade nas estradas portuguesas, apagando a má imagem deixada na edição transacta da Volta. Donos da camisola da juventude desde o primeiro dia - Cozza cedeu a liderança a Daniel Martin, na Torre -, não prescindem de se intrometerem nos sprints e nas fugas.

Barbot-Siper
Um dos colectivos nacionais que melhor se apresentou. O chefe-de-fila, David Bernabéu, claudicou na tirada da serra da Estrela, mas o velocista Francisco Pacheco está sempre com os melhores nas chegadas em pelotão, tendo já uma vitória, e enverga a camisola dos pontos. Por enquanto, o balanço é positivo para o conjunto de Carlos Pereira e poderá ainda melhorar se Pacheco segurar a camisola branca e se voltar a "molhar a sopa".

CC Loulé
O colectivo mais modesto do pelotão nacional tem feito aquilo que se espera de uma equipa sem grandes nomes mas com muita vontade de brilhar: participa em fugas e mostra as camisolas, provando que um patrocinador que ali tivesse colocado a sua insígnia já estaria a capitalizar o investimento. Santi Pérez está nos dez mais e ainda não perdeu as opções de chegar ao pódio. Nuno Marta e Pedro Soeiro prosseguirão à espreita de uma oportunidade numa chegada ao sprint.

Madeinox-Boavista
A Volta não está a correr bem à equipa do Bessa. O líder dos axadrezados, Tiago Machado, começou a corrida atrasando-se numa queda e não resistiu à dureza da ascensão à Torre, perdendo as opções de vitória e tendo ainda muito que batalhar se quiser vir a envergar a camisola que, à partida parecia-lhe destinada, a laranja da juventude. O sprinter da equipa, Bruno Lima, ainda não recuperou a forma depois de sofrer uma mononucleose que lhe arruinou a temporada, não conseguindo, por isso, mostrar-se entre os mais velozes da caravana. Vai valendo a combatividade de Sérgio Sousa, Luís Pinheiro e Jacek Morajko para que a Madeinox-Boavistã não passe despercebida, integrando as fugas.

Extremadura-Ciclismo Solidario
Combativos mas sem grande qualidade, estes espanhóis nunca se dão por vencidos, mas acabam por sê-lo pela superioridade dos adversários. Presença constante nas fugas, mas sem capacidade para altos voos. A conquista da camisola da montanha durante três dias foi já um sucesso.

Agritubel
Os franceses sabem que não dispõem de recursos humanos para tentar a vitória na Volta. Resta-lhes mostrar a camisola. Têm-no feito, tendo lugar cativo nas iniciativas atacantes que vão animando as etapas.

Contentpolis-Murcia
Longe da glória e pouco activos na simples tarefa de mostrar a camisola. Até ao momento, estão em Portugal apenas para fazer número.

Barloworld
Um ano aziago para esta equipa que tem continuidade na Volta a Portugal. Um dos colectivos de quem muito se espera, quanto mais não seja pela tradição de brilhar em estradas lusas, mas que tem andado arredado dos postos cimeiros. Um segundo lugar numa etapa por parte de Enrico Gasparotto foi o melhor que os britânicos tiveram para nos oferecer nos primeiros dias de prova.

Ceramica Flaminia-Bossini Docce
O que se disse da Contentpolis-Murcia aplica-se também ao colectivo de Ricardo Martins. Prestação sofrível até ao dia de descanso.

Cofidis
Estão a cumprir as expectativas: usam a Volta a Portugal para rodar unidades pouco experientes, pelo que o seu contributo para o espectáculo tem sido nulo.

Lampre
Um colectivo que veio a Portugal com apenas um ciclista em condições de brilhar: Danilo Napolitano. Reduzidos à capacidade de explosão do siciliano nas chegadas em grupo, os homens da Lampre souberam trabalhar para proporcionar as condições necessárias para que o seu homem mais veloz exercesse sua função de conquistador de etapas. Este fê-lo em duas ocasiões em três possíveis. Balanço muito positivo.

Karpin Galicia
Têm estado por cá?

José Carlos Gomes

O fim (praticamente) anunciado do Benfica


O rumor há muito circulava no pelotão, mas hoje foi o próprio director-desportivo do Benfica, Orlando Rodrigues, em declarações difundidas pela Agência Lusa, a dizer que o futuro da equipa de ciclismo do clube da águia está em causa. Tudo depende de uma reunião com João Lagos, patrão da equipa, dado que o clube pouco mais dá do que o nome, finda a Volta a Portugal.
A falta de resultados e a ausência de uma parceria financeira forte - a Sagres Zero, principal patrocinador secundário retirou o apoio logo no começo desta temporada - são as causas do provável final antecipado do projecto.
Quem não deverá ficar parado em 2009 é Orlando Rodrigues, assim como José Azevedo. Os dois estão a desenvolver um projecto para o lançamento de uma nova estrutura na próxima temporada. De acordo com as palavras de Orlando Rodrigues, o novo projecto pode continuar no seio do universo Lagos Sports.
Quando faltam ainda seis etapas para o fim da Volta a Portugal, falta saber o impacto das palavras de Orlando Rodrigues no seu grupo de trabalho. Servirão de motivação para que os corredores tentem mostrar potencial para seguirem com o director-desportivo em 2009 ou significarão mais uma forma de desmotivação para um colectivo que nunca conseguiu cumprir as expectativas que sobre ele recaíam?

José Carlos Gomes
Foto: PAD/JLS

domingo, 17 de agosto de 2008

Nenhum português desistiu

Dez corredores já ficaram pelo caminho. México e República Checa já não têm representantes na Volta a Portugal. Espanhóis, italianos e franceses também sofreram baixas. Enquanto isso, os portugueses resistem estoicamente e nenhum abandonou ainda o pelotão.

No inicio da presente Volta a Portugal, 17 formações faziam-se à estrada com 147 corredores oriundos de 20 países. No final da quarta etapa, representantes da República Checa (Lubos Pelanek) e México (Ignacio Sarabia) já ficaram pelo caminho. Também espanhóis e italianos viram a sua representação reduzida.

À partida para a Volta deste ano, os espanhóis eram 54, enquanto os portugueses se ficavam pelos 39. Agora “nuestros hermanos” contam apenas com 48 participantes, enquanto os italianos que começaram com 13 apenas perderam um elemento, Umberto Nardecchia (Cerâmica Flaminia), e os franceses contam com 10 no pelotão, uma vez que Nicolas Hartmann já ficou pelo caminho.

A diferença entre, as duas maiores representações, espanhóis (48) e portugueses (39), é agora inferior àquela em que foi iniciada a prova, dado que os lusos têm aguentado as dificuldades sem atirar a toalha ao chão.

Actualmente fazem parte do pelotão 137 corredores.

Armando Santiago

Foto do dia



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Francisco Pacheco ganha em dia de velocidade de ponta

O homem mais vitorioso do pelotão nacional em 2008, Francisco Pacheco (Barbot-Siper), juntou hoje mais um sucesso às sete vitórias com que entrou na Volta. O sprinter da equipa gaiense foi o mais rápido no sprint que coroou uma veloz quarta etapa da Volta, 164,6 km entre a Guarda e Viseu. Rui Sousa (Liberty Seguros) chegou integrado no pelotão, conservando o primeiro lugar na classificação geral individual, na véspera da jornada de descanso.

Depois de uma demolidora etapa de montanha com final no alto da Torre, sob condições de severa invernia, a etapa de hoje poderia ter duas configurações possíveis. Ou o pelotão antecipava o dia de descanso, deixando uma fuga ganhar corpo e vencer a etapa; ou a velocidade, imposta pelas equipas dos sprinters, seria tal que não haveria escapada que pegasse. Foi a segunda hipótese que veio a suceder, acabando por se assistir a uma empolgante discussão ao sprint, com Francisco Pacheco a coroar de êxito o imenso trabalho da sua equipa durante toda a etapa.

A passagem pela alta montanha passou factura ao até aqui imbatível nos sprints Danilo Napolitano (Lampre), que hoje não foi além da sexta posição. Quem não se desgastou demasiado na montanha foi Francisco Pacheco, que fora segundo nas anteriores chegadas em pelotão, assumindo-se como digno sucessor de Napolitano, prevendo-se agora uma disputa acesa entre ambos pela posse da camisola da regularidade, que passou hoje para o corpo do espanhol.

A etapa de hoje revelou a adaptação das equipas nacionais ao domínio evidenciado ontem pela Liberty Seguros. Percebendo que não será fácil destronarem os comandados de Américo Silva dos postos cimeiros e sabendo que a luta pela vitória na Volta está praticamente entregue a uma batalha entre David Blanco (Palmeiras Resort-Tavira) e a Liberty Seguros, Benfica e Barbot-Siper passaram ao plano B.

Os benfiquistas lançaram Pedro Lopes para uma fuga, com o intuito de pontuar na montanha do dia, o que o algarvio conseguiu, aproximando--se do líder da classificação, Rui Sousa. Além disso, José Azevedo, provando ser um brioso desportista, lançou-se em tentatias de fuga, procurando salvar a honra do “convento” encarnado. Já a Barbot-Siper, cujo chefe-de-fila, David Bernabéu, ficou longe da frente, queria “ganhar” a sua Volta da mesma forma que o fez em 2007: através de (pelo menos) um triunfo de Francisco Pacheco. Trabalhando para isso, os corredores de Carlos Pereira tomaram conta das operações no pelotão, para que nenhuma fuga pudesse ganhar muito tempo. É que com o avanço existente dos homens da frente, era de crer que a equipa do líder pudesse deixar chegar uma fuga com homens atrasados na geral.

Com a maioria dos colectivos ao ataque, a tarefa da Barbot-Siper não foi fácil. Valeu a entrada em cena da Lampre, que também pretendia uma abordagem à meta em pelotão compacto, para que Danilo Napolitano pudesse voltar a desenvolver a sua potência nos metros finais. No entanto, perante a inércia da equipa do líder, também os transalpinos recuaram na tarefa de puxar pelo pelotão e quem aproveitou foram dois homens dos mais batalhadores do pelotão: Jacek Morajko (Madeinox-Boavista) e Brice Feillu (Agritubel), que perante o controlo à distância da Liberty Seguros foram construindo uma vantagem que, apesar de tudo, nunca foi muito significativa.

Previa-se que uma aceleração dos blocos interessados no sprint poderia aniquilar as esperanças dos dois aventureiros. Assim aconteceu. Sabendo que o ritmo da Liberty não era o mais interessante para possibilitar um sprint compacto, a Barbot-Siper teve de voltar a dar a cara ao vento para infelicidade de Morajko e de Feillu, que lograram passar na frente na primeira passagem na meta, mas que não puderam ali chegar adiantados na abordagem que verdadeiramente contava. Para o insucesso da escapada contribuiu ainda a presença na frente, na última dezena de quilómetros, da Palmeiras Resort-Tavira, que tinha em Martin Garrido um homem que dava garantias para uma discussão ao sprint.

À passagem pelo pano que assinalava a falta de dez quilómetros para o final, formou-se um grupo de luxo, no qual pontificavam Héctor Guerra (Liberty Seguros), Juan José Cobo (Scott-American Beef) e José Azevedo (Benfica). A Palmeiras Resort-Tavira, que tem de defender a vantagem de David Blanco sobre Guerra, assumiu a perseguição e já perto da entrada para os últimos três quilómetros foi o próprio Blanco que se juntou aos homens da frente, abortando aí a tentativa de fuga.

Em velocidade alucinante, que não permitiu a qualquer equipa organizar-se verdadeiramente para o lançamento do sprint, os corredores aproximaram-se da chegada. Hugo Sabido (Barloworld) ainda tentou surpreender de longe, mas a marcha demolidora dos sprinters acabou com a esperança do corredor luso. Num último esforço, Francisco Pacheco foi claramente superior, batendo o líder do ranking europeu da UCI, Enrico Gasparotto (Barloworld), e Manuel Cardoso (Liberty Seguros), segundo e terceiro, respectivamente. Pacheco completou a etapa em 3h41m38s, a uma alucinante média de 44,6 km/h.

José Carlos Gomes
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